Ao que chegou o Glorioso

Desde a morte de Feher que a pouca vergonha se instalou nos altos comandos da Luz. É nítido o aproveitamento do falecimento do jogador, na tentativa de criar um mito dos tempos modernos, algo a que os benfiquistas possam apelar, sobretudo os não religiosos, podendo deste modo juntar-se aos que rezam à Nossa Senhora de Fátima. Para ser sincero, espanta-me que Luís Filipe Vieira ainda não tenha criado produtos de merchandising relativos a Feher.
Não ponho em causa o carinho e amizade que os colegas de Feher sentiam e a tristeza que provocou o seu desaparecimento. Tal como também não duvido que a direcção benfiquista sentiu a perda do homem. Agora não podem é branquear algo que era do conhecimento geral: Feher estava a 3 minutos de abandonar o Benfica e juntar-se ao colega Andersson no Belenenses! Três minutos é o que separa um homem de sair pela porta do cavalo ou entrar na galeria dos mitos? Não me respondam já.
Na década de 60 do século passado, sem duvida a década que deu a gloria ao Benfica, o Benfica não era só Eusébio. Sem dúvida que sem o pantera negra o Benfica não teria brilhado tanto, mas convém recordar que em 1961, venceram a Taça dos Campeões Europeus… e sem Eusébio! Quem andava por lá e andou durante 12 anos, com grande demonstração de amor à camisola, foi um homem de nome José Torres, o bom gigante como era conhecido. O mesmo que em 1985 conseguiu apurar a selecção portuguesa para o Mundial do México 86.
Mas chega de saudosismos. Voltemos aos dias de hoje…
“O Bom Gigante sofre da doença de Alzheimer há cinco anos. “O Benfica nunca lhe deu a importância que ele merecia”, refere Ana Torres, a filha mais nova e a voz do inconformismo da família. Ela revela que o pai nem sequer foi convidado para a inauguração do novo estádio da Luz, em 2003. “Ele acabou por aparecer à mesma depois do apelo de alguns responsáveis benfiquistas”. Como o Bom Gigante não tinha lugar marcado, o filho mais velho, José, dirigiu-se a Luís Filipe Vieira para que ele tentasse arranjar uma cadeira. “Nem que fosse na bancada mais distante. Era importante é que ele não estivesse de pé durante muito tempo.” Vieira encolheu os ombros, arremessando uma frase seca: “Não tenho nada a ver com o assunto.” Depois virou-lhe as costas.
O episódio traumatizou a família. Quando, meses depois receberam em casa um convite para a comemoração do 101.º aniversário do Benfica, torceram o nariz. Apesar de contrariada, Ana telefonou a confirmar a presença dela e do pai. Mas pediu o favor de também levar o namorado, já que Torres não consegue executar tarefas simples como uma ida à casa-de-banho. “Responderam, de forma arrogante que assim não havia condições para irmos. Depois, lá acederam, como se estivessem a fazer um grande favor.”
Esta informação surgiu à algum tempo no Correio da Manhã.
Agora tentem explicar-me, mas devagarinho que é para ver se percebo, como é que o LFV, com aquele ar de carneiro mal morto, vai prestar homenagem ao túmulo de Feher?
Estará ele à espera que José Torres esteja em tal estado avançado da doença, que não se recorde do seu passado glorioso, para lhe prestar uma homenagem? Muito triste toda esta situação. Só me espanta é verificar que em 6 milhões de benfiquistas só aparecem trastes para dirigir o clube. Ao menos o Vale e Azevedo ainda descobriu o Mourinho…
Não ponho em causa o carinho e amizade que os colegas de Feher sentiam e a tristeza que provocou o seu desaparecimento. Tal como também não duvido que a direcção benfiquista sentiu a perda do homem. Agora não podem é branquear algo que era do conhecimento geral: Feher estava a 3 minutos de abandonar o Benfica e juntar-se ao colega Andersson no Belenenses! Três minutos é o que separa um homem de sair pela porta do cavalo ou entrar na galeria dos mitos? Não me respondam já.
Na década de 60 do século passado, sem duvida a década que deu a gloria ao Benfica, o Benfica não era só Eusébio. Sem dúvida que sem o pantera negra o Benfica não teria brilhado tanto, mas convém recordar que em 1961, venceram a Taça dos Campeões Europeus… e sem Eusébio! Quem andava por lá e andou durante 12 anos, com grande demonstração de amor à camisola, foi um homem de nome José Torres, o bom gigante como era conhecido. O mesmo que em 1985 conseguiu apurar a selecção portuguesa para o Mundial do México 86.
Mas chega de saudosismos. Voltemos aos dias de hoje…
“O Bom Gigante sofre da doença de Alzheimer há cinco anos. “O Benfica nunca lhe deu a importância que ele merecia”, refere Ana Torres, a filha mais nova e a voz do inconformismo da família. Ela revela que o pai nem sequer foi convidado para a inauguração do novo estádio da Luz, em 2003. “Ele acabou por aparecer à mesma depois do apelo de alguns responsáveis benfiquistas”. Como o Bom Gigante não tinha lugar marcado, o filho mais velho, José, dirigiu-se a Luís Filipe Vieira para que ele tentasse arranjar uma cadeira. “Nem que fosse na bancada mais distante. Era importante é que ele não estivesse de pé durante muito tempo.” Vieira encolheu os ombros, arremessando uma frase seca: “Não tenho nada a ver com o assunto.” Depois virou-lhe as costas.
O episódio traumatizou a família. Quando, meses depois receberam em casa um convite para a comemoração do 101.º aniversário do Benfica, torceram o nariz. Apesar de contrariada, Ana telefonou a confirmar a presença dela e do pai. Mas pediu o favor de também levar o namorado, já que Torres não consegue executar tarefas simples como uma ida à casa-de-banho. “Responderam, de forma arrogante que assim não havia condições para irmos. Depois, lá acederam, como se estivessem a fazer um grande favor.”
Esta informação surgiu à algum tempo no Correio da Manhã.
Agora tentem explicar-me, mas devagarinho que é para ver se percebo, como é que o LFV, com aquele ar de carneiro mal morto, vai prestar homenagem ao túmulo de Feher?
Estará ele à espera que José Torres esteja em tal estado avançado da doença, que não se recorde do seu passado glorioso, para lhe prestar uma homenagem? Muito triste toda esta situação. Só me espanta é verificar que em 6 milhões de benfiquistas só aparecem trastes para dirigir o clube. Ao menos o Vale e Azevedo ainda descobriu o Mourinho…

4 Comments:
de facto este blog está de parabens porque resume bem o que vale a nossa sociedade hoje em dia...
É ASSIM A VIDA...
Eu recordo-me bem do caso Cherbakov zizou, alias, tenho plena convicção que o benfica perderia o titulo de 94 se o grande Cherba nao tivesse tido aquele estupido acidente. Quero recordar que, e aqui a minha memoria nao me atraiçoa, Cherbakov era considerado, em nov. de 94, o melhor jogador do sporting! Numa equipa que jogava bom futebol e que tinha, entre outros, figo e paulo sousa em grande forma. Ninguem mais do que eu lamenta o grave acidente de Cherbakov, nao pelo titulo que se foi, mas pelo prazer que dava vê-lo jogar.
Passada esta homenagem, quero relembrar dois factos importantes:
- o sporting auxiliou o jogador nos primeiros tempos de tratamentos e o contrato foi cumprido ate ao fim
- cherbakov, em dia de semana, conduzia às 6 da manha, alcoolizado, e sem respeito pelas mais elementares regras de condução.
Nos ultimos tempos tem-se assistido a diversos acidentes envolvendo vedetas de futebol (sobretudo no estrangeiro), e nenhuma delas tem fciado ferida, embora em certos casos tenham provocado a morte a outras pessoas! Cherbakov teve a divina justiça: foi castigado pelo acto, nao castigando ninguem pela sua enrome irresponsabilidade. O Sporting nao rasgou o contrato (e podia te-lo feito), mas tambem nao foi a Santa Casa da Misericordia.
Deveria te-lo sido? Não creio, apesar de gostar imenso do Cherbakov e de emocionar sempre que o vejo na tv. Está a pagar um preço muito elevado por um erro (e ainda era um jovem de 22 anos na altura), mas antes ele que qualquer inocente que passasse no local à altura do acidente.
Mas zizou, que tem a ver o cu com as calças? Sousa Cintra nao é grande exemplo, mas ao lado de LFV pode-se candidatar para o presepio de natal ;)
Depois de trabalharem anos e de darem o corpo se vos fizessem isto,eu queria ver quem eram os fdp...
zizou, o sporting nao fez do cherbakov um martir nem um mito. Ainda agora correu com um Pedro barbosa, que andava a arrasta-los pelo chão, e fez muito bem. Aquilo lá nao é um lar da 3ª idade!
O cu e as calças a que me refiro é pegar na morte de uma pessoa e querer criar um mito. Se querem mitos entao aguardem a morte dos campeões europeus de 60.
Eu compreendo. Para a malta nova quem era o Cavem? E o Germano, recentemente falecido? Nao sao nada. Por isso é preciso criar novas idolatrações, uma vez que a equipa actual, por si só, não vende.
Posso estar errado, mas só vejo aproveitamento. Porque razao a segunda viagem do benfica à hungria teve uma comitiva de camaras de tv e radios atras? Publicidade? Podes pensar que nao, mas para mim isso é evidente. E continuo a colocar os colegas e amigos de feher de parte. Eles nao têm culpa da profanação que se está a assistir.
Quero apenas relembrar um episodio em relação ao Jose Torres. Em 86, quando fez a lista de convocados para o mundial, deixou de fora Manuel Fernandes, simplesmente o melhor marcador do campeonato. Naturalmente que a relação entre ambos azedou e deixou de existir qualquer contacto. Recentemente foi promovido um convivio para homenagear Jose Torres e, entre os convidados, estava Manuel Fernandes, que não deixou de estar presente e cumprimentar Torres neste momento tão delicado da sua vida. E Torres, apesar de sofrer de Alzheimer, ainda sabe bem quem é Manuel Fernandes. E sabe o que representou para ele estar presente nesta reunião.
Estará o benfica à espera que a doença evolua até chegar ao ponto em que Torres nao se recorde do seu passado? Será essa a altura correcta para ter um estádio a aplaudi-lo de pé?
Em 2003, aquando da inauguração do novo Alvalade, o Sporting convidou o ultimo dos 5 violinos ainda vivos, Jesus Correia. E foi bonito observar todo o estadio de pé a aplaudir aquele homem pelos feitos alcançados 50 anos antes! Certamente que 80% das pessoas aplaudiam sem nunca o terem visto jogar. Mas, para Jesus Correia, isso não era o importante. Importante era saber que ainda hoje, 50 anos depois, era estimado pelo que tinha feito.
Jose Torres merecia o mesmo. Mas enquanto ainda estiver lucido. Caso contrario mais vale mandarem-me a mim lá.
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